Se as políticas atuais forem mantidas, o aquecimento global pode chegar a 2,8 °C neste século. O alerta é do Relatório sobre a Lacuna de Emissões 2026, do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), divulgado em 21 de outubro.
A projeção atual é pior que a do relatório de 2025. Segundo o Pnuma, isso se deve em parte à saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris. Mesmo no cenário mais otimista, com todos os países cumprindo suas metas climáticas, a alta ficaria em 2,1 °C.
O relatório lembra que cada fração de grau acima de 1,5 °C aumenta riscos irreversíveis. Por isso, o documento alerta para consequências graves para a saúde humana e para a prosperidade.
Ainda há, porém, um caminho possível. No cenário de menor ultrapassagem, o aquecimento chegaria a 1,7 °C ou 1,8 °C por volta de 2050. Depois, voltaria a 1,5 °C até 2100, com cerca de 50% de chance. Para isso, seria preciso cortar as emissões em 18% até 2030, 45% até 2035 e 69% até 2040, em relação a 2025.
As metas atuais, no entanto, ainda estão longe disso. Se cumpridas, cortariam as emissões em apenas 5% a 8% até 2030. Mesmo assim, o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que ultrapassar 1,5 °C não deve ser tratado como rendição.
O Brasil é o único país lusófono destacado no documento. A meta brasileira é reduzir as emissões líquidas entre 59% e 67% até 2035, em relação a 2005. Além disso, o relatório cita o plano Nova Indústria Brasil e a meta de zerar o desmatamento ilegal na Amazônia até 2030.
Leia também: ONU alerta que o mundo deve ultrapassar em breve o limite de segurança da temperatura
Fonte: Salvar o clima ainda é possível mesmo após ultrapassar 1,5 °C / ONU News, 21/10/2026


