O Departamento de Doenças Transmissíveis (DEDT/MS) e a Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente (SVSA/MS) realizaram, na manhã e tarde do dia 26 de outubro, o webinário “Uma Só Saúde – Um compromisso de todos”, com o tema: “Desafios, soluções e avanços da abordagem Uma Só Saúde” no Brasil.
A intenção do evento foi de promover a celebração e a reflexão sobre a abordagem de Uma Só Saúde, para reforçar a integração entre a saúde humana, animal e ambiental, e o fortalecimento da colaboração e da articulação entre diferentes áreas e setores. Isso em reverência ao Dia Mundial e Nacional de Uma Só Saúde, comemorado em 3 de novembro.
O webinário também propiciou a exposição das ações do Comitê Interinstitucional de Uma Só Saúde, criado pelo Decreto Nº 12.007 de 25 de abril de 2024. A Fiocruz participa dele com mais 19 instituições.
Foram debatidas ações do Ministério da Saúde (MS), da Fiocruz, do Ministério da Defesa, da Embrapa, do ICMBio, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), do Ibama e Conselho Federal de Biologia (CFBio).
Plano brasileiro de Uma Só Saúde
Francisco Edilson Ferreira de Lima Júnior, diretor do Departamento de Doenças Transmissíveis (DEDT), do Ministério da Saúde, apresentou o planejamento estratégico para 15 anos, de 2026 a 2040, em Uma Só Saúde.
“É necessário avançar na implementação e institucionalizar, mas estamos com muita esperança de que tudo isso vai ter continuidade, porque a abordagem precisa fazer parte de uma cultura do Estado brasileiro, não de um governo só”, disse Ferreira.
O plano tem como missão desenvolver e implementar ações integradas e sustentáveis para a promoção da saúde humana, animal, vegetal e ambiental no país.

Futuro decreto presidencial sobre Uma Só Saúde
Construído ao longo de um ano, com mais de 40 reuniões virtuais e engajamento de mais de 80 instituições, o plano teve oficina presencial com a sociedade científica/civil e realizou consulta pública, em 2025, na qual houve mais de 560 contribuições.
O documento consolida 99 ações estratégicas distribuídas em 18 diretrizes ao longo de sete eixos, que será transformado em decreto presidencial.
Os sete eixos:
- Capacidades institucionais em Uma Só Saúde
- Epidemias e pandemias
- Doenças transmitidas por vetores e endêmicas
- Segurança dos alimentos
- Resistência aos antimicrobianos
- Meio ambiente e Uma Só Saúde
- Participação social
Rede Fio-Uma Só Saúde
Ricardo Moratelli, pesquisador da Fiocruz, tecnologista em Saúde Pública e biólogo especializado em zoologia e biodiversidade, discorreu sobre a Rede de Pesquisa Translacional Fio-Uma Só Saúde, criada em mapeamento feito pela Vice-Presidência de Pesquisa e Coleções Biológicas (VPPCB/Fiocruz), em 2022.
“É uma iniciativa para organizar grandes temáticas de pesquisa na instituição, que vão desde as atividades de campo e bancada até a entrega prática”, explicou Moratelli.

Na rede há articulação de mais de 140 pesquisadores, 65 grupos de pesquisa e 26 unidades da Fiocruz em áreas do CNPq, e existem cinco subredes (doenças zoonóticas, toxicologia ambiental, águas/oceanos, resistência antimicrobiana e pesquisas territorializadas em locais como Delta do Tapajós, na Região Norte, Pedra Branca, uma das maiores florestas urbanas do mundo localizada na Zona Oeste do Rio de Janeiro, em aldeias indígenas da Região da Costa Verde, em Maricá (RJ), e no Canal do Cunha, na região de Manguinhos e do Complexo da Maré, na cidade do Rio de Janeiro.
A Fio-Uma Só Saúde lidera a Rede de Saúde Única no Rio Grande do Sul, que integra 23 instituições de pesquisa e a parceria Fiocruz-Embrapa.
Ensino de Uma Só Saúde
No ensino e capacitação, contempla o mestrado profissional em Saúde Única (Fiocruz MS), a especialização em Ciências de Laboratório (Ensp/RJ), o Curso Introdutório / EAD e formação para agentes comunitários de Saúde.
Os próximos passos previstos, segundo Moratelli, são oficina para capilarizar o Plano de Ação Nacional de Uma Só Saúde na Fiocruz e criação de coordenação unificada de governança.
Homenagens à Uma Só Saúde
Em 3 de novembro, é celebrado o Dia Mundial da Saúde Única, criado para ampliar a divulgação de uma abordagem que reconhece a interdependência entre a saúde das pessoas, dos animais e do meio ambiente. A mobilização é promovida desde 2016 pela One Health Commission, pela One Health Platform e pela One Health Initiative Team, organizações internacionais independentes e multidisciplinares. O conceito ganhou projeção internacional em 2004, com a iniciativa One World, One Health, da Wildlife Conservation Society.
Instituído no Brasil pela Lei nº 14.792, de 2024, o Dia Nacional da Saúde Única é celebrado em sintonia com a mobilização internacional. A data tem como objetivo ampliar a conscientização sobre a conexão entre a saúde das pessoas, dos animais e do meio ambiente, princípio que fundamenta a abordagem Uma Só Saúde.


